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Modalidade de venda pública de bens, na qual quem arremata (compra) é quem oferece o maior lance (oferta de preço) pelo bem desejado, concretizado pela famosa batida do martelo, em que o licitante diz “dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três, vendido!”.

Venda de bens de forma impessoal e transparente a ser realizada com o terceiro que der o maior lance, portanto, a melhor condição, dentro das regras estabelecidas no edital. A concorrência livre faz com que todos se beneficiem dos maiores valores possíveis (tanto credor, que recebe mais, como devedor, que liquida mais de sua dívida).

Qualquer pessoa que seja considerada capaz, ou seja, maior de 18 anos que possa exercer pessoalmente seus direitos e responder por suas obrigações. Caso represente uma empresa, esta pessoa será o representante legítimo e terá a livre administração dos bens dela. Normalmente os participantes necessitam de um pré-cadastro com envio de documentação antes da data do leilão (veja questionamento específico sobre isso).

Os leilões podem ser judiciais ou extrajudiciais e podem ocorrer de forma presencial, virtual ou mista.
Mais adiante veja em detalhes cada tipo.

É aquele realizado pelas empresas públicas, autarquias, sociedades de economia mista e órgãos da administração pública direta e indireta, ou seja, entidades de interesse publico que podem, e em alguns casos devem, realizar vendas publicas por meio de leilão, conforme definido na Lei de Licitações (Lei nº 8.666/93). Neste caso são chamados de leilões administrativos.

Há também os leilões realizados por empresas privadas, fundações, pessoas físícas, associações, instituições financeiras que podem realizar alienação de bens conforme sua conveniência. Muitos bancos utilizam essa forma de venda (venda direta, feita sob estrutura de leilão) para imóveis retomados mesmo após os leilões extrajudiciais frustrados, que a lei obrigou-os a realizar.

Presencial: ocorrerá no endereço informado no edital e os lances serão ofertados na presença do leiloeiro.

Online: desde o cadastro para habilitar a participação até os lances serão realizados pela plataforma divulgada pelo leiloeiro.

Híbrido: simultaneamente o leilão ocorrerá de forma online e presencial, e normalmente os lances serão apresentados por meio de um sistema automatizado para os participantes de ambas as modalidades.

Chama-se de praça cada tentativa de venda de um bem dentro de um leilão. Normalmente, a primeira praça tem um valor de arrematação mínimo equivalente ao valor de avaliação do bem; e a segunda praça um valor de avaliação inferior ao de avaliação.

Comitente é a pessoa que procura por um leiloeiro para colocar bens a leilão/venda. O nome decorre do fato da contratação ocorrer por meio de um contrato de comissão.

Forma de organização do leilão. O bem é oferecido individualizado ou dentro de um conjunto (reunião de vários itens que devem ser comprados simultaneamente em um único leilão). No caso de imóvel, normalmente um lote é igual a um imóvel.

Deve ter a atenção do arrematante a composição dos lotes, especialmente quando se tratar de imóvel cujo desmembramento prejudica seu valor de mercado. É o caso do leilão de parte ideal (quando o que vai ser vendido é apenas parte do imóvel) ou quando não integra o lote a vaga de garagem (ou o direito a seu uso).

Na maior parte das vezes o leilão é composto pela 1ª praça e 2ª praça, diferenciadas pelo valor do lance mínimo e pelas suas datas. Durante cada praça haverá um período de alguns dias em que o interessado pode formular seus lances, encerrando-se na data e horário estipulados no edital e no site do leiloeiro.

É o documento central do leilão e peça mais importante da avaliação do interessado, encontrato no site do leiloeiro e no qual se tornam públicas todas as informações dos bens a leilão e das regras de participação. Neste documento o interessado encontrará informações como datas e horários do leilão, respectivas praças, documentos necessários para participação, identificação do proprietário do imóvel, valor minimo para arrematar e a conservação do bem, formas de pagamento, eventuais dívidas, defeitos, processo ou qualquer outro tipo de ônus relativos a este.

Eventual erro no edital (se relevante para definição do lote ou quando haja informação equivocada quanto às regras do leilão) é justo motivo para seu cancelamento, em especial pelo arrematante, que não estará obrigado a liquidar o compromisso de pagamento por algo diferente do que fora anunciado.

Valor que se oferta pelo imóvel ou pelo bem que está sendo leiloado. O lance poderá ser:

a) Manual: lances acima do valor mínimo, ressalvando o incremento mínimo estabelecido no edital;
b) Automático: cadastra-se o valor máximo que deseja pagar pelo bem e durante o leilão o sistema fará automaticamente um novo lance, com o incremento mínimo, sempre que houver lance maior, limitado ao valor máximo cadastrado;
c) Condicional: se for leilão judicial, e não houver nenhum lance, após o encerramento o interessado poderá formular proposta com valor menor que o mínimo ou em condições de pagamento diversas. Neste caso, sendo o valor menor do que o mínimo o juiz fará a avaliação sobre a legalidade da oferta (veja questionamento sobre preço vil) e eventualmente poderá declarar o vencedor, que deverá arcar com o valor da oferta e com a comissão do leiloeiro.

A mesma regra que vale para o quem pode participar do leilão, isto é, pessoa capaz perante a lei ou se pessoa jurídica, que tenha poderes e investido na administração plena da empresa.

Via de regra, além do cadastro junto ao leiloeiro, o interessado deve se habilitar para cada leilão que deseja participar. Na habilitação o interessado formalizará ciência das regras de funcionamento daquele específico leilão.

É muito importante fazer o cadastro e a habilitação com antecedência, porque, via de regra, a confirmação de ambos não é instantânea.

Qualquer pessoa que esteja ofertando lances num leilão.

Refere-se ao valor mínimo a ser acrescido ao lance que pretenda cobrir a oferta anterior. Esta regra pode constar no edital ou poderá ser alterada durante o leilão.

É o profissional habilitado pela Junta Comercial com um número de matrícula, que lhe confere fé pública para os atos praticados em leilão. Leilões realizados por pessoas não habilitadas são ilegais.

Cuidado com sites falsos e golpes nesse mercado (vide resposta seguinte).

O leiloeiro é a pessoa que realiza os atos inerentes à preparação, execução e finalização dos leilões que for contratado ou submetido pelo judiciário ou por instituição financeira. Dúvidas sobre a concorrência, bem como a disponibilização de boa parte dos documentos pode ser solicitada a esse profissional.

Por seu trabalho o leiloeiro é remunerado com uma comissão sobre o valor da arrematação (em geral 5%), a ser acrescido ao valor gasto com a compra e pago imediatamente após o leilão.

O ideal é consultar o site da Junta Comercial, uma vez que o leiloeiro público oficial deve ser matriculado e anualmente ter seu cadastro atualizado.

Para evitar ser enganado consulte no edital o nome do leiloeiro nomeado para aquele leilão e o site em que a concorrência vai acontecer, em seguida confira se o leiloeiro está habilitado na Junta Comercial do estado.

Depende. Os editais de leilão trazem as formas e datas disponíveis para visitação, quando houver, mas isso está vinculado à ocupação ou não do imóvel.

Caso seja possível, sim. Não sendo viável é muito importante utilizar outras formas de avaliação do imóvel e seu estado de conservação.

Lembre-se que o bem que será adquirido, em regra, não poderá ser devolvido após a arrematação. Nos editais há as condições de vendas e as expressões “ad corpus” (imóvel como um todo e não em relação à metragem apontada, sem ajustes posteriores) e “bem entregue no estado em que se encontra”, ou seja, a visitação ou suas pesquisas poderão esclarecer se o bem se encontra nas condições em que se espera.

Lance mínimo ou inicial é o valor que o juízo ou o vendedor admite como lance mínimo a ser realizado pelo comprador, não sendo permitido valor menor. É nesse valor que se inicia a disputa.

Em geral o lance mínimo assegura a arrematação ao interessado, mas observe se a concorrência é feita sob a forma de “lance condicionado”, pois nela o lance mínimo estará sujeita à aceitação pelo vendedor (e à negociação posterior).

Tradicionalmente, os leilões presenciais se encerrarão com as tradicionais 3 batidas do martelo e a frase do leiloeiro “dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três!” e, em regra, considerando o maior valor do lance para arrematação do bem. O mesmo pode acontecer nos leilões mistos, especialmente quando o leiloeiro comanda o relógio, podendo estender o tempo inicialmente estipulado em razão da existência de concorrência entre os interessados.

Para os leilões on-line se encerrará ao término dos 3 minutos (em geral) entre o último lance ofertado e o horário da finalização. No entanto, caso nesse período seja dado novo lance, o cronômetro é reiniciado por igual período até que não tenha novo lance, homologando a venda/arrematação.

Normalmente os editais de leilão disponibilizam as dívidas que recaem sobre o imóvel e, principalmente, se serão ou não de responsabilidade do arrematante. Não havendo informação ou estando esta equivocada (quanto à existência e responsabilidade e não quanto ao valor), o arrematante poderá desistir da compra do imóvel sem qualquer prejuízo.

O arrematante pode ser responsabilizado pelo pagamento dos débitos diretamentre relacionados ao imóvel (“propter rem”), em geral IPTU/ITR e condomínio. Via de regra todos esses débitos são saldados com o produto da arrematação, isto é, o valor pago será primeiro destinado a sua liquidação, mas é importante atentar-se que eventual saldo não liquidado poderá ser repassado ao arrematante, porque acompanha o imóvel adquirido. Alguns cuidados importantes:

a) Conferir a quem competirá o pagamento no edital e nas demais regras do leilão;
b) Estimar se o valor da arrematação será suficiente para liquidar as dívidas de responsabilidade do arrematante e se sobrará saldo (sobrando, considere o valor na avaliação do investimento);
c) Avaliar o concurso de credores, procedimento que estabelece a ordem de prioridade no recebimento dos valores da arrematação e que, a depender dos respectivos créditos, pode implicar em saldo a pagar ao arrematante.

Tudo indica que você arrematou o bem pretendido. Em breve o leiloeiro entrará em contato para os próximos passos, normalmente por e-mail. De todo modo, o arrematante deve estar apto a liquidar o valor ofertado em 24h, sob pena de ser cancelada sua arrematação e aplicada uma penalidade (conforme edital).

Caso o leilão de 2ª praça termine sem ofertas há a possibilidade, no mais das vezes, de enviar uma proposta para o e-mail do leiloeiro com o valor e as condições de pagamento esperadas. Caso a proposta tenha valor dentro do mínimo, pode ser aprovada. Caso o valor seja menor que o estabelecido, o leiloeiro remeterá ao juiz (judicial) ou à instituição financeira (extrajudicial) para aprovar.

Em até 10 dias da assinatura do auto de arrematação, se observado algum ônus do bem não presente no edital, bem como se houver alegação do devedor de motivos que possam invalidar o leilão, nos casos de leilões judiciais. Nesses casos o valor da arrematação é devolvido, sem penalidades.

Nos leilões extrajudiciais não cabe a desistência.

Note que não se aplica a regra de defesa do consumidor de arrependimento em sete dias.

Os leilões ficam disponíveis no site do leiloeiro com antecedência para divulgação dos bens e, a partir da data estipulada pelo leiloeiro (ou pelo juiz, caso assim determine), poderá ser enviado o valor que pretende arrematar.

Atenção apenas que a concorrência no leilão costuma acontecer no momentos finais do prazo estipulado para as ofertas. Não acompanhar o término do leilão pode significar perder a oportunidade de arrematação. Caso o leilão seja presencial é necessário enviar alguém com poderes específicos (procuração).

O edital deve apresentar a forma de pagamento permitida, a qual poderá ser à vista, em parcelas ou financiamento. Como regra as ofertas de pagamento à vista prevalecem sobre aquelas de pagamento parcelado, mesmo que nominalmente menores. Essa regra pode ser excepcionada, conforme determinado no edital.

O não pagamento do preço do bem arrematado nos leilões equivale à desistência do arrematante, no entanto este estará sujeito ao pagamento da comissão do leiloeiro, poderá sofrer as penalidades do código penal, ficar impedido de participar de novas arrematações e a outras penalidades, conforme Edital.

Normalmente a comissão será de até 5% (cinco por cento) sobre o valor de arrematação, a ser acrescido e não descontado dele. Nos casos em que houver justa desistência (vide resposta específica a respeito), o valor pago da comissão volta ao arrematante.

Está vinculado a um processo judicial da Justiça Comum (Estadual ou Federal) ou da Justiça Especial (Trabalho, Eleitoral ou Militar), no qual o juiz determina a venda do imóvel, conforme o Código do Processo Civil.

O imóvel ou os direitos a ele pertencem ao devedor e para liquidação de sua dívida no processo (ou suas dívidas, se outros processos houver) o imóvel é levado a venda pública pelo melhor / maior lance possível.

a) Se a relação de bens ou objetos ou direitos estiverem na localidade em que prestarem serviço, ou que estender a sua autoridade: Defensoria Pública, Ministério Público, juiz, servidores públicos em geral e mandatários;
b) Se encarregados das vendas do bem em leilão: leiloeiros e representantes;
c) Se responsável pela guarda ou sob sua responsabilidade: curador, testamenteiros, administradores, tutores, e ou advogados das partes.

Via de regra é possível fazer proposta de pagamento parcelado, mas a oferta precisa ser feita antes do encerramento do segundo leilão e, atenção, o lance de pagamento à vista prevalecerá sobre o parcelado ainda que o parcelado seja nominalmente maior. Há situações que a regra de prevalência do valor à vista sobre o parcelado pode ser excepcionado, mas é necessário haver decisão judicial nesse sentido.

Depois de penhorado o imóvel e avaliado o credor pode adjudicá-lo, isto é, assumir sua propriedade e compensar o devedor da diferença entre a avaliação e o débito. Quando não haja a adjudicação o imóvel é submetido à praça pública, que é a formalização de uma concorrência para aquisição pelo maior valor.

Em geral são realizadas duas praças, sendo obrigatório que o valor da primeira seja equivalente ao da avaliação do imóvel ou mais. Para a segunda praça o juiz poderá decidir por um desconto, a fim de atrair interessados (via de regra até 50% de redução frente à avaliação).

Depois das formalidades, especialmente a divulgação das datas dos leilões e a informação disso ao devedor e seus credores, as praças são realizadas e o maior lance é declarado vencedor.

Caberá ao vencedor pagar o preço oferecido e, em seguida, o juiz será informado e determinará a expedição da carta de arrematação.

Documento que o juiz emite para bens que vão à registro e que autoriza/formaliza a compra pelo arrematante no leilão. Não há escritura pública, como ocorre em compra e venda de imóveis em geral, substituindo-se tal documento pela carta expedida pelo juiz da causa.

O leilão judicial poderá se cancelado:

a) se realizado por preço vil;
b) caso haja vício no edital ou na intimação dos devedores;
c) quando credores com garantia no imóvel não forem informados de sua realização;
d) se não for pago o preço ou se não for prestada garantia em pagamento parcelado.

Além de serem observados todos os procedimentos que podem cancelar o leilão, como respondido acima, deve o interessado observar se (i) o imóvel foi devidamente penhorado; (ii) se houve adequada avaliação do imóvel; (iii) se não remanesce discussão ou recurso a respeito da existência da dívida, da restrição do imóvel ou da validade do procedimento de leilão.

Afora os critérios formais é sempre necessário avaliar a responsabilidade por débitos e a formação e as consequências do concurso de credores.

O devedor não pode ser destituído do seu “bem de família”, assim considerado o imóvel residencial da entidade familiar em que resida.

Há exceções a essa regra, como, por exemplo, a cobrança de IPTU ou débitos de condomínio, em razão dos quais o imóvel pode ir a leilão, ainda que seja a única moradia do devedor.

É considerado preço vil, motivo para cancelamento do leilão, a arrematação por preço inferior ao mínimo estipulado pelo juiz e constante do edital, e, não tendo sido fixado preço mínimo, o preço inferior a 50% do valor da avaliação.

Muita atenção que o valor da avaliação deve ser atualizada, pelos índices oficiais, até a data do leilão e com base nessa avaliação atualizada é que os 50% acima descritos deverão ser conferidos.

Há casos específicos que se admite a venda em valor inferior a 50% da avaliação, como ocorrem em processos trabalhistas e processos falimentares, mas sempre é necessária decisão judicial anterior autorizando que assim se proceda.

O produto da arrematação do imóvel deverá ser utilizado para quitação de todos os credores que se habilitarem a receber. Quando o valor arrecadado não é suficiente para a quitação de todos os credores instaura-se o concurso e por ele são estabelecidas prioridades de recebimento. Há alguma variação, mas a regra geral é que recebem os credores na seguinte ordem, proporcionalmente em cada grupo, até o limite do valor arrecadado: i) créditos alimentícios (dívidas trabalhistas, por exemplo); ii) créditos tributários; iii) créditos com garantia real (quando o imóvel assegura seu pagamento); iv) dívidas de condomínio; v) outras.

A correta definição desta ordem e a estimativa dos pagamentos é essencial para assegurar ou delimitar a responsabilidade do arrematante por dívidas do imóvel (IPTU e condomínio, especialmente).

Quando o imóvel é detido por duas ou mais pessoas cada qual tem o equivalente a sua parte ideal no imóvel. Em caso de leilão de parte ideal o arrematante adquirirá apenas parte do bem e terá de conviver com o condomínio formado com os demais titulares.

Para a garantia das dívidas do devedor podem ser penhorados quaisquer de seus bens, incluindo-se nisso os direitos que possua para a aquisição de um imóvel financiado.

Enquanto o imóvel financiado não seja quitado a propriedade não se consolida ao comprador, então, não é o imóvel que será penhorado, mas o direito a adquirí-lo.

Nesses casos é essencial identificar qual o saldo devedor do contrato de alienação fiduciária, porque caberá ao arrematante saldar este contrato para, enfim, ser proprietário do imóvel.

Caso o leilão seja de uma nua-propriedade não é o imóvel que está sendo vendido, mas apenas parte dos direitos sobre ele. Exclui-se disso o usufruto que é o direito de utilizar o imóvel, por si ou por terceiros (locação).

Nos casos de nua-propriedade o arrematante só terá a posse do imóvel quando o usufrutuário falecer.

Após a arrematação do imóvel o arrematante passará a ser seu proprietário e, nesta condição, tem direito à posse.

Muitas vezes é possível negociar a saída voluntária do ocupante do imóvel, mas, na sua recusa, deverá o arrematante requerer ao juiz sua imissão na posse e será expedida ordem de saída forçada, inclusive com auxílio de força policial.

Não está vinculado a um processo judicial e se baseia na lei de alienação fiduciária de imóvel (Lei nº 9.514/1997). São casos que o comprador de um imóvel deixa de pagar o financiamento e o credor (quem financiou e, legalmente, é o proprietário do imóvel até que seja quitado o financiamento) assume o imóvel e liquida seu crédito com a venda em leilão.

A legislação foi criada para dar segurança tanto ao credor, para que pudesse receber seu crédito mesmo que o devedor tenha outras dívidas, quanto ao arrematante, que adquire o imóvel sem ônus.

Em comparação com o leilão judicial, cujas regras impõem valor máximo de desconto, no leilão extrajudicial o lance pode ficar abaixo de 50% do preço avaliado do imóvel.

Na falta de arrematantes o leilão é encerrado e a instituição financiadora segue sendo proprietária do imóvel. O devedor recebe quitação e o financiamento é encerrado.

A partir desse momento, como proprietária e tendo seguido o rito da legislação, a instituição poderá vender o imóvel como preferir e pelo preço que definir.

É comum que estas instituições disponibilizem os imóveis para novos leilões ou ofereçam a venda junto aos leiloeiros, sabedoras da expertize que esses profissionais têm nessas operações e do interesse recorrente de compradores que os procuram.

Nem sempre, portanto, um leilão extrajudicial tem um rito legal (o da lei de alienação fiduciária) a seguir, porque pode se tratar de venda subsequente (“venda direta”).

Depende da previsão do edital. Há instituições que admitem o pagamento parcelado, estipulando número de parcelas e forma de correção monetária, bem como o pagamento financiado, em novo contrato de alienação fiduciária.

Sim, o leiloeiro pode ser contratado para a venda de qualquer imóvel e segundo a regra que contratar com o vendedor.

Importante observar que nos casos de leilão judicial ou os da Lei nº. 9.514/1997 há regras a seguir, cuja inobservância podem cancelar o procedimento.

Por outro lado, a observância dessas regras confere segurança que uma compra livre de imóvel pode não ter. Ainda que feita em leilão, em se tratando de venda de imóvel de particular, valem as mesmas regras de uma venda e compra normal.

A instituição que financiou o imóvel deve notificar o devedor a pagar as parcelas não pagas do financiamento e na ausência de liquidação pode consolidar a propriedade do imóvel. O contrato de alienação fiduciária mantém a propriedade em nome da instituição, mas confere o direito ao comprador a obter tal propriedade ao final do financiamento. Com a falta de pagamento o contrato é rompido e a propriedade se consolida em nome da instituição que o financiou.

Após a consolidação da propriedade e atendidas as regras de prazo para pagamento da dívida, a instituição leva o imóvel a leilão público, obrigatoriamente em duas praças, isto é, em duas datas.

Na primeira praça a arrematação deve se dar pelo valor do imóvel, estipulado em contrato e oriundo de avaliação de mercado.

Na segunda praça a arrematação tem por valor mínimo a soma da dívida, das despesas, dos prêmios de seguro, dos encargos legais, inclusive tributos, e das contribuições condominiais. Caso o lance vencedor supere o valor mínimo o saldo será destinado ao devedor. Em eventual leilão negativo o contrato de financiamento será considerado quitado e o devedor estará livre. A instituição, por sua vez, poderá vender o imóvel de qualquer forma e por qualquer valor.

Os requisitos principais do leilão extrajudicial, regido pela Lei nº. 9.514/1997, são:

a) o devedor precisa ser formalmente notificado para purgar a mora, isto é, pagar o que deve, no prazo de 15 dias;
b) a propriedade do imóvel precisa estar consolidada, na respectiva matrícula, à instituição financiadora;
c) as datas dos leilões devem ser formalmente informadas ao devedor, que tem o direito, antes que ocorram, de quitar sua dívida e remanescer com o imóvel.

A falta de atendimento dos requisitos acima pode implicar em cancelamento do leilão e dores de cabeça ao arrematante. Atente-se a eles.

Após a arrematação do imóvel o arrematante passará a ser seu proprietário e, nesta condição, tem direito à posse.

Muitas vezes é possível negociar a saída voluntária do ocupante do imóvel, mas, na sua recusa, deverá o arrematante propor medida judicial (imissão na posse / reintegração de posse) para que seja determinado seu ingresso no imóvel em 60 dias.

O contrato de locação poderá ser mantido, renegociado ou rescindido pelo arrematante. Caso seja rescindido deverá ser dado prazo de 30 dias para o locatário deixar o local. Na recusa de cumprimento cabe medida judicial para a saída forçada.

O mais atrativo ao investidor é o valor, pois em alguns casos a aquisição do imóvel pode ser feita por valores 50% ou mais abaixo do valor de mercado do imóvel.

Ao adquirir um imóvel por menos que seu real valor o investidor estará, instantaneamente, aumentando seu patrimônio, trocando determinado montante em dinheiro por um bem de maior valia.

Além do aumento patrimonial, o leilão é uma ótima oportunidade para:

a) Aluguel: aumentar a taxa de retorno do aluguel dos imóveis – na medida que o valor pago pelo imóvel é menor que o de mercado, a proporção do valor do aluguel será maior (já que seguirá sendo o mesmo aluguel praticado pelo mercado para imóveis daquele valor);
b) Revenda: obter o chamado ganho de capital, que é o resultado positivo entre a aquisição do imóvel por um valor e a sua subsequente venda por outro maior, apurando lucro.

A aquisição de imóveis em leilão é igual a aquisição de imóveis em geral quando o assunto é segurança do investimento. Imóveis são conhecidos investimentos conservadores, porque seu valor intrínseco, o valor da construção em si, resguarda o investidor de eventuais perdas.

Analise o imóvel que está sendo ofertado, procurando informações essenciais como localização, estado de conservação, se o anúncio condiz com as características do bem leiloado.

A boa compra passa por duas análises essenciais:

a) da regularidade do leilão, se todos os requisitos legais foram cumpridos e se o imóvel será de propriedade do arrematante sem dores de cabeça;
b) da compatibilidade do valor e do desconto na arrematação. É necessário pesquisar para concluir se o valor de mercado coincide com o valor da avaliação do imóvel e se há, efetivamente, o desconto. Além disso é importante computar todos os gastos que serão incorridos com a arrematação.

Devem ser considerados, a depender da modalidade do leilão, os gastos com:

a) a arrematação – o lance em si;
b) a comissão do leiloeiro;
c) o tributo da transferência do imóvel (ITBI);
d) os custos com o registro imobiliário (cartório).
De acordo com o interesse do arrematante também devem ser considerados:
e) honorários de consultores;
f) gastos com reforma;
g) gastos com a desocupação do imóvel (acordo ou ação);
h) em caso de revenda, a comissão do corretor e o imposto de renda.

Observe as regras do leilão que constam no edital e avalie se os procedimentos foram cumpridos.

Uma vez superada a análise formal, faça uma pesquisa de mercado sobre o valor do imóvel ou de seu equivalente no local, compare com o desconto que é oferecido e acrescente os custos da arrematação (vide pergunta anterior). Caso o resultado seja positivo pode avançar.

Sempre que possível consulte corretores, vizinhos, síndico, administradores de condomínio ou quem possa fornecer informações sobre o valor do imóvel, suas condições físicas, quem o ocupa e a que título.

Ao final, muito importante, defina um teto para seus lances. Os momentos finais do leilão, especialmente quando concorrido, podem levar o interessado a ultrapassar o limite do custo-benefício.

Tenha em mente seus objetivos e ganhe com os leilões.

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